‘Nascida na selva’, Nazaré Pereira se consagra na Europa com a música da Amazônia e anuncia novo show

Artista é a única cantora brasileira a receber, pelo conjunto da obra, o prêmio Louis Ganne, da França. Com uma obra que atravessa gerações, ela prepara novo show em parceria com Márcio Macêdo.

Foto: Representativo

Era final dos anos 70, toda aquela ebulição política e cultural no mundo ocidental. Uma mulher cabocla, filha de seringueiro e, como ela mesma diz, “criada na selva”, ganhava a Europa tocando a música da Amazônia. Nazaré Pereira, criadora do hit imortal “Xapuri do Amazonas”, percorreu uma trajetória cinematográfica até se tornar uma das primeiras vozes do Norte do Brasil a reverberar no exterior, onde fez história. Ela é a única cantora brasileira a receber, pelo conjunto da obra, o prêmio Louis Ganne de Música Cantada, honraria concedida por celebrados autores e editores de música franceses.

Prestes a completar 50 anos de carreira, Nazaré prepara seu novo show. “Saudosa Natureza” é o título de um espetáculo inédito, em parceria com o músico paraense Márcio Macêdo. A dupla se apresenta no dia 10 de novembro, às 19 horas, no Teatro Municipal de Ananindeua, no Parque Cultural Vila Maguary.

imagem: Representativa

 

Nazaré Pereira é cantora, compositora, atriz e dançarina, com muitos álbuns e canções para contar poeticamente sua história. Natural de Xapuri, no Acre, tendo se mudado para Belém aos sete anos de idade, ela se consagrou na França, onde vive até hoje.

Em Belém, ela se apresenta regularmente, despertando a admiração de artistas de diferentes gerações. Recentemente, Nazaré foi homenageada no Festival Lambateria, em Belém, com um show sobre sua obra, reunindo as cantoras Lia Sophia, Luê, Naieme e Taynara Garcia.

Com um repertório majoritariamente em português, Nazaré Pereira fez do próprio corpo uma forma de expressão universal, Nazaré chegou a lançar dez discos autorais no Brasil e na França, além de ser responsável por levar a Paris, para um show conjunto, seu grande parceiro Luiz Gonzaga, em 1982, com quem compôs “Acre Doce”.

Luiz Gonzaga e Nazaré Pereira no Teatro Bobino, em Paris — Foto: Divulgação
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“Eu tive a sorte de ter feito teatro, porque falo pouco em cena, mas explico tudo através da dança, dos movimentos, dos gestos. Cada música eu transformo em um pequeno monólogo teatro, e viajo”, analisa.

Fonte: G1