Goiano relata que viveu nos EUA por seis anos, voltou para o Brasil em 2022 e estava de volta ao país norte-americo para visitar a família que deixou lá. Ele diz ter ficado preso por cinco meses antes da deportação.
O goiano Wendel Lourenço, deportado dos Estados Unidos (EUA) para o Brasil no último final de semana, disse à TV Anhanguera que foi algemado e que teve dificuldade para respirar dentro da avião. “Cheguei algemado, bem mal. Avião dando problema, quase morrendo sufocado porque não tinha ar-condicionado. Todo mundo começou a passar mal”, afirmou.
Wendel fazia parte do grupo de 88 brasileiros que chegaram a Manaus em voo enviado pelo governo dos Estados Unidos na última sexta-feira. No desembarque na capital amazonense, imagens mostraram brasileiros algemados pelos agentes de imigração dos Estados Unidos.
Segundo a Polícia Federal, usar algemas e correntes são um procedimento padrão da imigração americana durante os voos com deportados dos EUA. Esse foi o primeiro voo com deportados vindo para o Brasil no novo governo de Donald Trump, mas o segundo de 2025.
Esses voos fazem parte de um acordo bilateral sobre deportação assinado pelos Estados Unidos e Brasil, em 2018 e que continua em vigor. O objetivo, segundo o Itamaraty, é abreviar o tempo de permanência de brasileiros presos por imigração irregular em centros de detenção americanos.
Wendel chegou em Goiânia na madrugada desta segunda-feira (27). O goiano viveu no estado de Connecticut, nos Estados Unidos, por mais de seis anos, trabalhando com manutenção de piso de madeira. Ele contou que havia retornado para o Brasil em 2022 e voltou para os EUA no ano passado para ver os filhos e os netos que deixou lá.
Em nota, o governo federal declarou que considera inaceitável que as condições acordadas com o governo norte-americano não sejam respeitadas e que o uso indiscriminado de algemas e correntes viola os termos de acordo com os Estado Unidos, que prevê um tratamento digno, respeitoso e humano de todos repatriados.
Segundo Wendel, ele ficou preso por cinco meses e cinco dias antes de ser deportado. “Falei para juíza, no dia que fui na Corte: a senhora não tem coragem de dar a comida que comemos aqui para o cachorro da senhora. Os guardas gritam o tempo todo, com homem, com mulher”, relatou.
Repatriação
Wendel é um dos primeiros brasileiros deportados após a posse do presidente americano Donald Trump. Durante a cerimônia de posse, realizada na última segunda-feira (20), Trump disse que uma de suas principais ações seria “devolver milhões e milhões de estrangeiros”.
Em torno de 11 milhões de imigrantes vivem de forma ilegal atualmente no país norte-americano. Entre os anos de 2020 e 2024, 6.499 imigrantes brasileiros foram deportados, a maioria deles nascidos nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás, segundo a Polícia Federal.
Condições de voo
Após a posse de Trump no último dia 20, 88 brasileiros foram algemados por agentes de imigração dos Estados Unidos. Durante o voo para o Brasil, o avião parou no Panamá, por problemas técnicos. Entretanto, a tripulação continuou a viagem para o Brasil, sem trocar de aeronave.
O primeiro pouso em solo brasileiro foi em Manaus (AM), de onde os repatriados foram para Belo Horizonte (MG). No Brasil, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, determinou a retirada das correntes e solicitou um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) para os repatriados completassem a viagem até a capital mineira.