Morte em operação ambiental em Trairão revolta comunidade; família só soube 12 horas depois

Luciano foi baleado durante ação de fiscalização na comunidade Areia 2. Órgãos ainda não esclareceram as circunstâncias do disparo. Corpo segue no IML de Itaituba.

Foto: Reprodução

Um homem identificado como Luciano morreu após ser baleado durante uma operação de fiscalização ambiental na comunidade Areia 2, zona rural de Trairão, no sudoeste do Pará. O caso ocorreu por volta do meio-dia de quinta-feira (12), mas a família só foi informada oficialmente da morte mais de 12 horas depois, já na madrugada desta sexta-feira (13).

Segundo relatos apurados pela reportagem, Luciano estava com um grupo de trabalhadores quando agentes de fiscalização chegaram à área com o objetivo de combater atividades ilegais na floresta. Durante a abordagem, em circunstâncias ainda não esclarecidas, o homem acabou baleado e morreu no local.

A ação também resultou na detenção de outros trabalhadores, levados para a 19ª Seccional da Polícia Civil em Itaituba, onde prestaram depoimento. Só após essas oitivas, e com a instauração de inquérito, a polícia comunicou a família sobre a morte. Até então, parentes e amigos acreditavam que Luciano havia apenas sido preso.

“O dia inteiro acreditamos que ele estava detido. Só à meia-noite disseram que ele tinha morrido. Isso é desumano”, desabafou um familiar, que preferiu não se identificar.

O corpo permanece no Instituto Médico Legal (IML) de Itaituba. Até o momento, não foi informado se será realizada perícia independente, tampouco se a família foi autorizada a fazer o reconhecimento oficial.

Órgãos ambientais envolvidos na operação ainda não se manifestaram publicamente. Também não há confirmação de qual agente efetuou o disparo que matou Luciano.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os fatos, que deve ser acompanhado pelo Ministério Público. A comunidade, abalada e revoltada, cobra transparência e responsabilização.

O caso reacende o debate sobre o uso da força em fiscalizações ambientais no Pará, especialmente em áreas de conflito, onde trabalhadores e moradores frequentemente denunciam abusos e falta de diálogo durante ações repressivas.