Em mais um avanço para a pecuária paraense, o estado do Pará registrou, em agosto de 2025, o primeiro abate de bovinos identificados individualmente por meio do Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA). O lote de 20 machos, originário de uma fazenda em Marabá, foi destinado a um frigorífico da JBS/Friboi sob inspeção federal — e toda a trajetória foi monitorada pela plataforma, desde a propriedade até o abate.
Esse marco representa a aceleração do Programa de Pecuária Sustentável e Rastreabilidade Individual de Bovinos, lançado em 2023 durante a COP28, em Dubai. A iniciativa é resultado da articulação entre a Adepará (Agência de Defesa Agropecuária do Pará), Semas (Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade), Seaf (Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca) e parceiros como a TNC . A meta é ambiciosa — a identificação individual será obrigatória para todos os bovinos e bubalinos em trânsito a partir de janeiro de 2026, e para o rebanho inteiro até janeiro de 2027.
Tecnologia e sustentabilidade na pecuária
A identificação é feita por meio de dois brincos em cada animal: o amarelo visual e o azul eletrônico, com tecnologia RFID, que permite rastreamento preciso mesmo sem conexão à internet. O governo do Pará oferece esses dispositivos gratuitamente para produtores com até 100 animais, e conta com apoio em regiões-chave — como Altamira, Xinguara, Eldorado dos Carajás, São Geraldo do Araguaia e Tucuruí — por meio de parcerias com empresas contratadas e a TNC.
Barbra Lopes, gerente de cadastro e rastreabilidade da Adepará, ressalta a importância do sistema: “os animais deixam de ser registrados em lotes e passam a ser acompanhados individualmente, com um número único que funciona como um ‘CPF’”, o que acelera o combate a doenças e torna a gestão mais eficiente.
Controle, transparência e preservação
No momento de condução e comercialização, o produtor informa os dados (número único de cada animal) via SIGEAGRO 2.0 na GTA, e o frigorífico confirma o recebimento. No abate, leitores eletrônicos registram cada etapa, garantido rastreabilidade total.
O produtor de Salvaterra, Joélcio Fernandes, que já utiliza o sistema em seu manejo de búfalos, destaca os benefícios: além de rastrear origem e vacinas, o sistema fornece dados sobre peso e histórico sanitário, reforçando a qualidade da carne produzida.
A gestão de dados segue as normas da LGPD. Para o diretor-geral da Adepará, Jamir Macedo, essa iniciativa eleva a pecuária paraense a outro patamar de organização e qualidade, garantindo a manutenção da condição de “zona livre de febre aftosa sem vacinação”.
Novos mercados e inclusão social
O programa não visa apenas controle sanitário: ele também abre portas para mercados formais, valoriza a carne paraense e promove geração de emprego e renda no meio rural. A política integra-se ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne, que permite que produtores com áreas embargadas retornem ao mercado mediante compromissos de recuperação ambiental.
O secretário de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, Raul Protázio Romão, reforça que o programa demonstra o compromisso do governo de seguir uma agenda de desenvolvimento sustentável e inclusão: “a rastreabilidade é um passo decisivo para que a pecuária paraense alcance mercados mais exigentes e fortaleça a inclusão produtiva”.
Por Agência Pará