Mais de 300 lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas, agricultores familiares e representantes de movimentos sociais estão participando de uma grande mobilização chamada Caravana da Resposta. O grupo percorre aproximadamente 3 mil quilômetros entre o Cerrado e a Amazônia em direção a Belém, onde será realizada a COP30, conferência mundial sobre mudanças climáticas.

A caravana tem como objetivo principal mostrar que as soluções para a crise climática podem vir dos povos da floresta e das comunidades tradicionais que vivem em harmonia com a natureza. Durante o percurso, as lideranças estão promovendo encontros, rodas de conversa e manifestações culturais, destacando práticas sustentáveis de manejo da terra, preservação ambiental e produção de alimentos de forma equilibrada.
A iniciativa também busca denunciar os impactos provocados por grandes projetos de infraestrutura, como ferrovias, hidrovias e monoculturas de exportação, que têm ameaçado territórios tradicionais e ecossistemas sensíveis da região amazônica. Esses empreendimentos, segundo as lideranças, avançam sobre terras indígenas, quilombolas e áreas de preservação, afetando rios, florestas e comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais para sobreviver.
Durante o trajeto, a caravana faz paradas estratégicas em várias cidades e comunidades, onde são realizados debates sobre soberania alimentar, transição energética, defesa dos territórios e valorização dos saberes ancestrais. Além disso, o grupo promove atividades culturais e gastronômicas que celebram a diversidade dos povos da floresta, reforçando a importância da união e da resistência frente às ameaças ambientais e sociais.
Ao chegar em Belém, os participantes irão integrar as atividades da Cúpula dos Povos e da COP do Povo, espaços paralelos à conferência oficial, que buscam garantir a participação popular nas discussões globais sobre o clima. A expectativa é que a presença das comunidades tradicionais na COP30 sirva para reafirmar que o conhecimento, a cultura e o modo de vida dos povos da floresta são fundamentais para combater a crise ambiental e construir um futuro mais justo e sustentável para todos.