Violência contra a mulher: Pará mostra alta procura por ajuda no Ligue 180 em 2025

O Estado do Pará ultrapassou a marca de 23 mil atendimentos no Ligue 180 entre janeiro e outubro de 2025. O número demonstra que o canal tem se consolidado como uma das principais portas de entrada para mulheres que buscam ajuda diante de situações de violência física, psicológica, moral, patrimonial ou sexual. O serviço, que funciona gratuitamente 24 horas por dia, recebe tanto denúncias quanto pedidos de informação ou orientação sobre os caminhos para acessar a rede de proteção.

A alta procura no Pará acompanha o cenário nacional. Em todo o Brasil, o Ligue 180 registrou mais de 877 mil atendimentos no mesmo período, envolvendo ligações telefônicas, mensagens de texto, videochamadas e contatos por e-mail. Do total, mais de 126 mil foram classificadas como denúncias formais. A maior parte desses registros foi feita diretamente pelas vítimas, demonstrando que cada vez mais mulheres buscam ajuda e rompem o ciclo da violência, mesmo diante de contextos de medo, dependência financeira ou pressão familiar.

O dia 25 de novembro, que marca o Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher, ganha relevância especial em 2025 por comemorar os 20 anos de criação da central Ligue 180. Desde 2005, o serviço tem se expandido e se adaptado às novas demandas sociais, incorporando novos meios de comunicação e ampliando sua capacidade de atendimento para alcançar mulheres em diferentes regiões do país.

Apesar dos avanços, os números revelam que a violência de gênero permanece como um grave problema social. Especialistas destacam que o aumento de registros pode refletir tanto o crescimento das agressões quanto a maior confiança das mulheres em denunciar. Por isso, reforçam a necessidade de fortalecer as políticas públicas de prevenção, ampliar o acesso aos serviços especializados e promover campanhas educativas permanentes.

Outro ponto de atenção é a necessidade de descentralização do atendimento, garantindo que mulheres de áreas rurais, comunidades tradicionais, populações ribeirinhas e grupos vulneráveis tenham acesso a canais de denúncia, casas de acolhimento, delegacias especializadas e equipes treinadas. A integração das redes municipal e estadual, aliada ao investimento em capacitação de profissionais, é considerada fundamental para garantir proteção efetiva às vítimas.

No Pará, o aumento dos atendimentos reforça o alerta e a importância de manter o tema em debate público, incentivando a denúncia e destacando que a violência contra a mulher deve ser enfrentada por toda a sociedade. A data de 25 de novembro serve como marco não apenas de conscientização, mas de mobilização contínua por direitos, segurança e dignidade.

Fonte: O Liberal