Um novo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que as crianças de 6 a 10 anos no Brasil enfrentam um retrocesso no ritmo escolar: embora 90,7% delas estejam na série adequada em 2024 — índice praticamente igual ao de 2023 (90,8%) — esse nível continua abaixo dos 95,7% registrados em 2019, antes da pandemia.
Por que o atraso?
Segundo o IBGE, a principal razão para essa defasagem é o atraso na entrada de muitas crianças na pré‑escola durante a pandemia, o que afetou o ingresso posterior no ensino fundamental. Esse impacto concentra‑se especialmente nas crianças de 6 a 10 anos — faixa etária em que normalmente ocorre a alfabetização e as primeiras aprendizagens essenciais.
Um problema maior: atraso escolar generalizado
Embora o Brasil tenha reduzido recentemente a distorção idade‑série — definida como a diferença entre a idade do aluno e a série que cursa — ainda existem desafios. Dados de 2024 apontam que cerca de 4,2 milhões de estudantes da educação básica estão com dois anos ou mais de atraso escolar, o que equivale a 12,5% das matrículas no país. distorção afeta desproporcionalmente meninos e estudantes negros ou pardos.
Impactos no aprendizado
O atraso escolar na base (6–10 anos) preocupa porque interfere numa etapa crucial da formação: a alfabetização e os primeiros anos do ensino fundamental. Pesquisas apontam que a aprendizagem da educação básica — mesmo nos anos seguintes — ainda não retornou aos patamares anteriores à pandemia, particularmente em disciplinas essenciais como Língua Portuguesa e Matemática.
O que este cenário exige
Esse contexto reforça a necessidade de políticas públicas de recomposição da aprendizagem, com reforço escolar, acompanhamento individualizado e apoio específico às crianças que sofreram maiores impactos. O foco, segundo especialistas, deve ser garantir que todas as crianças retomem o ritmo adequado e não carreguem prejuízos de curta e longa duração.
Fonte: defato.com