O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma forte tensão diplomática na América Latina ao sugerir, em declarações à imprensa no domingo (4), que uma operação militar contra a Colômbia “soa bem” para ele, em meio à crise desencadeada pela recente ofensiva dos EUA na Venezuela.
Os comentários foram feitos poucos dias após uma ação militar norte-americana em Caracas, capital venezuelana, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, levado posteriormente a Nova York para enfrentar acusações relacionadas a narcotráfico.
Trump acusa o governo colombiano, liderado por Gustavo Petro, de estar “muito doente” e de permitir a produção e o tráfico de cocaína para os Estados Unidos, afirmando que tal situação não deve continuar por muito tempo. Questionado diretamente sobre uma possível intervenção militar em solo colombiano, o presidente norte-americano afirmou que isso “parece bom para mim”.
A declaração provocou reação imediata de Bogotá. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia classificou as falas de Trump como uma “interferência inaceitável” nos assuntos internos do país e uma violação das normas do direito internacional, destacando o princípio soberano que rege as relações entre nações.
Analistas políticos ressaltam que a retórica de Trump intensifica um clima de instabilidade regional, especialmente após a operação que resultou na queda de Maduro — ação que já provocou críticas de vários países e organismos internacionais por suposta violação da soberania venezuelana.
Até o momento, não há confirmação oficial de que os Estados Unidos planejem efetivamente lançar uma ofensiva militar contra a Colômbia, mas as declarações do presidente Trump aumentam significativamente as tensões diplomáticas entre os dois países aliados e colocam em evidência o delicado cenário geopolítico na região.
Fonte: A Crítica