‘Vão queimar no inferno’: pastora paraense é presa em Manaus suspeita de extorquir mais de R$ 50 mil de idosas em Belém

Uma pastora paraense foi presa preventivamente nesta segunda-feira (2) no município de Manaus (AM), acusada de extorquir mais de R$ 50 mil de duas idosas moradoras de Belém (PA), segundo apurou a polícia e veículos de comunicação.

O caso foi investigado pela Delegacia de Proteção à Pessoa Idosa (DPPID) da Polícia Civil do Pará, com apoio do Grupo de Trabalho de Vulneráveis (GTV/NIP) e da Polícia Civil do Amazonas (PCAM), no âmbito da Operação Custos Senex. A suspeita estava foragida e foi localizada no bairro Nova Cidade, em Manaus.

De acordo com as autoridades, a mulher se apresentava como pastora evangélica para conquistar a confiança das vítimas — duas idosas de 79 e 87 anos, evangélicas e com baixa escolaridade — e, a partir dessa relação de confiança religiosa, exigia sucessivas transferências de dinheiro via PIX sob o pretexto de que precisava ajudar um suposto noivo estrangeiro que estaria preso pela Polícia Federal.

Como o golpe era aplicado

A investigação revelou que, sempre que as idosas resistiam em colaborar, a suspeita fazia ameaças de cunho espiritual, afirmando que elas “queimariam no fogo do inferno” ou “não entrariam no reino dos céus” caso não realizassem as contribuições financeiras exigidas.

Sob esse tipo de pressão emocional e religiosa, as vítimas chegaram a transferir praticamente todos os recursos que possuíam:

  • Uma das idosas repassou cerca de R$ 32 mil.

  • A outra repassou aproximadamente R$ 25 mil.

As transferências cessaram apenas quando familiares descobriram as movimentações bancárias, mas as idosas passaram a enfrentar dificuldades financeiras, endividamento e impossibilidade de contrair novos empréstimos.

As investigações também apontam que a suspeita chegou a orientar uma das vítimas a apagar conversas de aplicativos, numa suposta tentativa de ocultar provas do crime.

Prisões e encaminhamentos

Após ser localizada, a suspeita foi interrogada na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Pessoa Idosa (DECCI), em Manaus, e encaminhada ao sistema penitenciário do Amazonas, onde permanecerá à disposição da Justiça.

A Polícia Civil informou que, até o momento, duas vítimas foram identificadas, mas não descarta que outras pessoas possam ter sido lesadas pelo mesmo esquema criminoso.


Fonte: G1 Pará