Tarifaço de Trump: entenda as mudanças e como ficam as cobranças para o Brasil

O chamado “tarifaço” anunciado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump nos últimos anos gerou grande repercussão no comércio internacional e levantou dúvidas sobre o impacto sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. As mudanças mais recentes envolvem decisões judiciais e novos ajustes nas tarifas que foram aplicadas inicialmente.

 O que foi o tarifaço?

Em 2025, os Estados Unidos impuseram uma série de tarifas adicionais sobre importações estrangeiras, incluindo produtos brasileiros, com o objetivo declarado de proteger a indústria norte-americana e reequilibrar a balança comercial. Historicamente, as tarifas eram relativamente baixas, mas a administração de Trump elevou níveis para até 50% para certos itens importados do Brasil, como forma de resposta a questões políticas e econômicas entre os dois países.

As tarifas mais duras incluíam:

  • 10% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, anunciada em abril de 2025;

  • 40% adicionais sobre diversos bens, elevando efetivamente a 50% a taxação de muitas exportações brasileiras;

  • Aço e alumínio brasileiros igualmente sujeitos a tarifas de até 50% sob regras separadas.

 Decisão da Suprema Corte dos EUA

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegais as tarifas amplas criadas sob uma lei emergencial chamada International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), anulando as sobretaxas específicas de 10% e 40% que haviam sido impostas sobre produtos brasileiros.

A decisão foi comemorada por autoridades brasileiras. O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a medida ajudaria a restaurar a competitividade do Brasil no mercado norte-americano e reduzir a incerteza nas relações comerciais entre os dois países.

 Como ficam as tarifas para o Brasil

Com a decisão da Suprema Corte, as tarifas aplicadas erroneamente com base na IEEPA foram derrubadas, mas não desapareceram completamente os encargos sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. O novo cenário inclui:

  • Tarifa global temporária de cerca de 15%, aplicada a partir de fevereiro de 2026 sobre produtos importados pelos EUA — incluindo os brasileiros — como parte de uma nova política comercial anunciada por Trump;

  • Tarifas de 50% sobre aço e alumínio, que permanecem vigentes com base na Seção 232 da lei comercial americana, independente da decisão judicial;

  • Isenções e exceções para determinados itens, como alguns minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos, que não são abrangidos pelo novo adicional.

Especialistas em comércio exterior ressaltam que, no geral, os produtos brasileiros seguirão sujeitos às tarifas normais de importação aplicáveis antes do tarifaço de 2025, acrescidas do novo adicional temporário de 15% em muitos casos, o que pode alterar a competitividade de exportações brasileiras no mercado americano.

 Reações e impactos

O cenário tem gerado reações mistas:

  • Autoridades brasileiras perceberam a derrubada das tarifas amplas como uma vitória diplomática e um alívio para setores exportadores;

  • Setores como o café instantâneo continuam preocupados, pois ainda podem enfrentar altos encargos nos EUA;

  • A nova tarifa global de 15% cria um ambiente de incerteza comercial, com efeitos diferentes dependendo do tipo de produto.

 Em resumo

  • O tarifaço inicial com sobretaxas de até 50% foi parcialmente derrubado pela Suprema Corte dos EUA;

  • Há agora uma tarifa global temporária de cerca de 15% em vigor para muitos produtos brasileiros;

  • Aço e alumínio brasileiros continuam sujeitos a tarifas elevadas;

  • Produtos com isenções específicas estão livres de algumas cobranças extras;


Fonte: Correio do Lago