Carretas com soja de MT ficam paradas em fila de 25 km a caminho do Porto de Miritituba

Na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, foi registrada uma fila de caminhões carregados com soja de Mato Grosso que se estendeu por cerca de 25 quilômetros nas proximidades do Porto de Miritituba, no Pará, evidenciando graves problemas logísticos no principal corredor de escoamento da safra pelo chamado Arco Norte.

O congestionamento ocorreu ao longo da BR-163, via que liga os produtores do Centro-Oeste brasileiro aos terminais portuários da região, e foi constatado por uma comitiva da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) durante o trajeto até o porto. Segundo relato dos representantes, além da longa espera para triagem e descarregamento, os caminhoneiros enfrentaram falta de estrutura básica, como banheiros e pontos de apoio ao longo da fila.

Produtores rurais e transportadores também criticaram a organização do fluxo de veículos, apontando que empresas responsáveis pela triagem e descarga não estão conseguindo absorver o volume de caminhões que chega ao local, o que contribui para o acúmulo de carretas ao longo da rota.

O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, ressaltou a necessidade de ações estruturantes para ampliar a capacidade portuária e melhorar a gestão logística, com apoio dos governos estaduais e federal. Segundo ele, o gargalo atual não pode ser tratado como algo normal e requer investimento em infraestrutura não apenas no porto, mas também no planejamento de armazenamento e rodovias que conectam os produtores às unidades de escoamento.

Outro fator que agrava a situação é o excesso de chuvas em partes de Mato Grosso, que tem atrasado a colheita da safra de soja 2025/2026 e impactado o acesso das máquinas às áreas de produção, potencialmente prejudicando a qualidade e o peso dos grãos.

Especialistas do setor apontam que o problema de filas longas é recorrente nos horários de pico da colheita e reflete os gargalos existentes na infraestrutura de transporte e no acesso aos portos do Arco Norte, que hoje são estratégicos para a exportação da produção agrícola brasileira.


Fonte: g1