Tensões no Oriente Médio podem impactar economia do Pará, alerta FIEPA

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) emitiu um alerta nesta terça-feira (3) sobre os possíveis impactos que a intensificação das tensões no Oriente Médio pode causar na economia do Pará. Segundo a entidade, o estado, cuja economia depende fortemente da exportação de commodities minerais e agropecuárias, pode sentir efeitos devido às incertezas nos mercados internacionais e ao aumento dos custos logísticos.

De acordo com a FIEPA, rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passam grande parte dos embarques de petróleo e commodities, estão sob atenção em meio à escalada geopolítica. Isso pode levar a elevação nos custos de frete, seguros e encargos financeiros, reduzindo a competitividade das exportações paraenses.

Levantamentos do Centro Internacional de Negócios da FIEPA apontam que o Oriente Médio segue como destino relevante das exportações do Pará. Em 2025, o estado exportou cerca de US$ 277,7 milhões em minério de ferro para a região, com destaque para Omã como principal comprador, e US$ 389,1 milhões em carne bovina, com mercados importantes no Iraque, Líbano, Israel e Arábia Saudita.

O economista Clóvis Carneiro, vice-presidente da FIEPA, destacou que o impacto mais imediato deve ocorrer na logística internacional, especialmente se os preços do petróleo continuarem em alta e as rotas marítimas permanecerem sob risco. Para setores como mineração e pecuária, fortemente dependentes do transporte marítimo, os custos adicionais podem pressionar os resultados das empresas.

O presidente da FIEPA, Alex Carvalho, ressaltou ainda fragilidades estruturais do Brasil no setor energético, como a dependência de importação de derivados e a limitação nas reservas domésticas, fatores que aumentam a vulnerabilidade da economia a choques externos.

A entidade também observa que a duração do conflito no Oriente Médio será determinante para mensurar a magnitude dos efeitos. Uma guerra prolongada poderia desencadear uma desaceleração da economia global, reduzindo a demanda por commodities e afetando diretamente as exportações paraenses, além de potencialmente impactar mercados importantes como o da China.

Fonte: O Liberal