Uma pesquisa científica brasileira que busca desenvolver um tratamento inovador para lesões na medula espinhal conta com a participação de um pesquisador paraense. O estudo investiga a polilaminina, uma substância experimental que tem demonstrado potencial para estimular a regeneração de neurônios e preservar células nervosas após traumas na medula.
A pesquisa é conduzida no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e tem como uma das participantes o médico paraense Arthur Forte, que acompanha o projeto desde as primeiras fases experimentais. Atualmente doutorando, ele atua na investigação dos efeitos da substância na recuperação de lesões neurológicas.
A polilaminina é derivada da laminina, uma proteína natural presente no corpo humano e fundamental para o desenvolvimento do sistema nervoso. A descoberta consiste em reorganizar essa proteína de forma semelhante à encontrada naturalmente no organismo, permitindo que ela volte a formar uma estrutura que estimula o crescimento dos neurônios.
Nos testes iniciais, realizados em modelos experimentais e em um pequeno estudo preliminar com pacientes, a substância apresentou resultados promissores. De oito pessoas avaliadas, seis tiveram recuperação de alguma função motora, índice superior ao observado naturalmente em casos de lesão medular. Ainda assim, pesquisadores destacam que os resultados precisam ser confirmados em estudos clínicos mais amplos.
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase 1 dos testes clínicos, etapa que avaliará a segurança do medicamento em voluntários humanos. Se os resultados continuarem positivos nas próximas fases, a polilaminina poderá representar um avanço importante no tratamento de pessoas com lesões na medula espinhal, que atualmente dependem principalmente de cirurgia e longos processos de reabilitação.
Segundo os pesquisadores, mesmo uma recuperação parcial de movimentos já pode trazer grande impacto para pacientes, aumentando a autonomia e melhorando a qualidade de vida.
Fonte: DOL.