MPT pede condenação de R$ 118 milhões à JBS por ligação com trabalho escravo no Pará

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública contra a JBS pedindo a condenação da empresa ao pagamento de, no mínimo, R$ 118 milhões por danos morais coletivos, devido a irregularidades na cadeia produtiva da pecuária no Pará. A ação foi protocolada na Vara do Trabalho de Xinguara, no sul do estado.

De acordo com o MPT, a empresa manteve relações comerciais com fornecedores incluídos na Lista Suja do Trabalho Escravo, mesmo tendo conhecimento de que essas propriedades foram flagradas utilizando mão de obra em condições análogas à escravidão. O órgão aponta que houve um padrão de negligência no controle da origem dos insumos adquiridos.

A investigação identificou que, nos anos de 2014, 2018, 2021, 2022 e 2025, 53 trabalhadores foram resgatados em fazendas ligadas a pecuaristas que comercializavam com a empresa. Segundo o MPT, a JBS realizou transações com ao menos sete fornecedores envolvidos em irregularidades em municípios como São Félix do Xingu, Novo Repartimento e Uruará.

A ação faz parte do projeto “Reação em Cadeia”, que busca responsabilizar empresas por violações indiretas aos direitos trabalhistas. O MPT sustenta que, por ser líder no setor, a JBS tem o dever de monitorar sua cadeia produtiva e adotar medidas para prevenir e corrigir práticas ilegais. Além da indenização, o órgão também pede que a Justiça determine uma série de obrigações à empresa e seus fornecedores para evitar novos casos.

O Pará está entre os estados com maior número de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão, especialmente na pecuária, atividade frequentemente associada a problemas como desmatamento ilegal e conflitos fundiários. Até a última atualização, a JBS não havia se manifestado sobre o caso.

Fonte: g1 Pará