Um estudo apresentado por pesquisadores da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e do Instituto Mãe Crioula revelou que o garimpo ilegal continua ativo na Terra Indígena Munduruku, no sudoeste do Pará, mesmo após operações federais de desintrusão realizadas na região.
A pesquisa analisou os impactos socioambientais e econômicos registrados em 2025 após as ações de retirada de invasores na área indígena localizada entre os municípios de Jacareacanga e Itaituba. Segundo o levantamento, o garimpo ilegal demonstra forte capacidade de adaptação e reorganização territorial, mantendo atividades clandestinas mesmo diante da fiscalização.
De acordo com os pesquisadores, as operações federais representaram avanço importante na proteção territorial indígena, mas não foram suficientes para desmontar completamente a estrutura econômica que sustenta o garimpo ilegal na região.
O estudo destaca que a atividade garimpeira movimenta parte significativa da economia local, envolvendo setores como hotéis, restaurantes, postos de combustíveis e comércio em geral. Essa dependência econômica foi classificada pelos pesquisadores como “mínero-dependência”, cenário em que a economia local passa a girar em torno da extração mineral ilegal.
Segundo o levantamento, após a retirada de garimpeiros, comerciantes e moradores relataram queda no movimento econômico, evidenciando a fragilidade da economia regional e a falta de alternativas sustentáveis de renda.
Além dos impactos econômicos, a pesquisa aponta graves danos ambientais causados pelo garimpo ilegal, incluindo assoreamento de rios, alteração nos leitos, poluição da água e destruição de áreas florestais. Os efeitos atingem diretamente comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem dos rios para sobrevivência.
Os pesquisadores também alertam para a aproximação entre garimpo ilegal e outras atividades criminosas, como o narcotráfico, além do uso de aeródromos clandestinos e estruturas ilegais de logística na região.
O relatório recomenda maior presença permanente do Estado, com fiscalização contínua, proteção territorial e criação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável. Entre as propostas estão projetos de reflorestamento, fortalecimento da produção indígena, incentivo ao artesanato e melhoria no abastecimento de água nas comunidades.
O documento será encaminhado a órgãos públicos federais e estaduais como contribuição para a formulação de políticas voltadas à proteção da Terra Indígena Munduruku e à redução da dependência econômica do garimpo ilegal.
FONTE: g1 Pará / Uepa / Instituto Mãe Crioula