O jornalismo paraense e amazônico perdeu neste domingo (31) um de seus nomes mais respeitados. O jornalista Carlos Mendes faleceu aos 76 anos, em Belém, onde estava internado para tratamento de problemas de saúde.
Durante o período de internação, familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores promoveram uma ampla mobilização para doação de sangue, em uma demonstração de carinho e reconhecimento pela trajetória do comunicador. Apesar dos esforços, Carlos Mendes não resistiu às complicações de saúde.
Reconhecido pelo compromisso com a informação, pela defesa da democracia e pela atenção constante às questões sociais, políticas e econômicas da Amazônia, Carlos Mendes construiu uma carreira marcada pela independência editorial e pela busca rigorosa dos fatos.
Fundador do portal Ver-o-Fato e do programa “Linha de Tiro”, transmitido pela internet, tornou-se uma das principais referências da comunicação no Pará. Ao longo de sua trajetória profissional, atuou em diversos veículos de imprensa, destacando-se como repórter especial do Diário do Pará e correspondente em Belém do O Estado de S. Paulo.
À frente do Ver-o-Fato, especializado na cobertura de temas políticos, econômicos e sociais da Amazônia, manteve uma atuação crítica e vigilante sobre os principais acontecimentos da região, conquistando credibilidade junto a leitores, autoridades e colegas de profissão.
Carlos Mendes também ganhou reconhecimento nacional por seu trabalho investigativo sobre a Operação Prato, considerada uma das mais emblemáticas investigações ufológicas do Brasil. Ainda na década de 1970, acompanhou os relatos sobre o fenômeno conhecido como “chupa-chupa”, registrado em diversas localidades paraenses.
Sua dedicação ao tema resultou no livro Luzes do Medo – Relato de um Repórter na Operação Prato, obra que reuniu documentos, entrevistas, reportagens censuradas durante o regime militar e depoimentos inéditos sobre os acontecimentos ocorridos em Colares e outros municípios paraenses.
Recentemente, seu trabalho voltou a ganhar destaque após a série documental Investigação Alienígena destacar sua atuação como um dos poucos jornalistas brasileiros que investigaram os fatos de forma independente.
O velório será realizado a partir das 16h deste domingo, na capela Max Domini, em frente ao Cemitério Santa Isabel, em Belém. O cortejo seguirá na manhã de segunda-feira (1º) para o crematório Max Domini, em Marituba.
A morte de Carlos Mendes representa uma grande perda para a comunicação amazônica, deixando um legado de coragem, investigação e compromisso com a informação.
Fonte: DOL – Diário Online.