Um trabalhador de 65 anos foi resgatado em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural localizada no interior da Estação Ecológica Terra do Meio, em Altamira, no sudoeste do Pará. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), o homem vivia sozinho no local desde 2018, em situação de completo isolamento, sem acesso à água potável, alimentação adequada, atendimento médico e meios de comunicação.

De acordo com a fiscalização, o trabalhador era responsável pela vigilância da fazenda, manutenção da pista de pouso, manejo de animais e cultivo de pequenas lavouras para subsistência. O acesso à propriedade era possível apenas por via aérea ou fluvial, o que dificultava qualquer contato com familiares e o acesso a serviços básicos.
Durante a operação, os fiscais encontraram o idoso vivendo em um barraco de madeira em condições precárias, com telhado danificado, piso de terra batida e sem banheiro em funcionamento. Ele consumia água retirada diretamente do rio Pardo, armazenada em recipientes reutilizados de óleo lubrificante, e sobrevivia com uma alimentação baseada em arroz, feijão e peixes pescados na região. Em alguns períodos, passou meses sem receber mantimentos do empregador.
A equipe também constatou que o trabalhador permaneceu por longos períodos sem contato com familiares, chegando a ficar até três anos sem qualquer comunicação. Além disso, ele relatou que precisou caminhar cerca de 27 quilômetros pela mata para conseguir atendimento médico quando apresentou problemas de saúde.
A operação de resgate foi realizada no último dia 14 de julho por uma força-tarefa formada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF). Após ser retirado da propriedade, o idoso recebeu atendimento médico, novos documentos, roupas, alimentos e um telefone celular, o que permitiu restabelecer o contato com familiares.
Segundo os órgãos envolvidos, o empregador assinou um Termo de Ajuste de Conduta, comprometendo-se a pagar as verbas rescisórias e indenização por danos morais. O trabalhador também recebeu guias para acesso ao seguro-desemprego e foi encaminhado para solicitar benefícios previdenciários e assistenciais.
Fonte: G1 Pará.