Espanha escolta imigrantes para fora de Ceuta e instala barreira no mar para evitar chegadas a nado

A Espanha informou neste sábado (1º) que conseguiu interromper o fluxo de entrada de imigrantes em Ceuta e que a situação na cidade, que é um território autônomo espanhol no norte da África, já está quase de volta ao normal.

Policiais e soldados espanhóis escoltam um grande grupo de migrantes até a fronteira para retirá-los da Espanha — Foto: REUTERS/Jon Nazca

Após flagrar um movimento voluntário de retorno de alguns imigrantes ao Marrocos nesta sexta-feira (31), a agência de notícias Reuters registrou alguns deles sendo escoltados até a fronteira pelo Exército espanhol neste sábado.

Imagens também mostram soldados e policiais espanhóis patrulhando a praia de Tarajal, onde milhares de marroquinos chegaram a nado, e buscando os que ainda resistem a ir embora.

Para evitar novas chegadas pelo mar, a Guarda Civil começou a instalar uma barreira flutuante de 500 metros.

Em comunicado, a organização explicou que a barreira pneumática, juntamente com uma linha de boias navais ancoradas, foi projetada para ficar de 30 a 70 centímetros acima da água e se estender até um metro abaixo da superfície. Um canal entre as barreiras permitirá que embarcações da Guarda Civil patrulhem a área.

Muitos dos imigrantes que atravessaram para Ceuta foram levados a migrar por dificuldades econômicas e foram incentivados por boatos nas redes sociais.

Migrantes descansam após cruzarem de volta do enclave espanhol de Ceuta para o lado marroquino da fronteira em Fnideq, Marrocos — Foto: REUTERS/Stringer

A Reuters conversou com dois homens que iniciavam o trajeto de retorno para casa e eles contaram que ficaram decepcionados ao encontrar muita hostilidade e falta de oportunidades.

“Eu queria ter uma vida melhor, mas aqui só encontrei fome e miséria. Queria me juntar à minha mãe na Espanha. Tudo estava fechado, inclusive os cafés. Um cigarro custava 2 euros, uma baguete custava 3 euros. Isso é demais”, lamentou Brahim Karroubi. “Vou voltar. Não há nada para fazer aqui. Os habitantes de Ceuta nos trataram mal, estamos com fome. As lojas estão fechadas”, acrescentou Mohamed, de 27 anos.

Já os moradores de Ceuta se mostraram aliviados com a volta à normalidade, mas disseram que ainda se sentem inseguros após a grande invasão há dois dias. Um deles afirmou que a chegada de 60 mil pessoas em menos de uma hora foi “inaceitável”.

“Embora as coisas tenham se acalmado um pouco, Ceuta continua sendo insegura e ainda precisamos da polícia e dos militares, porque isso é um aviso de que eles podem nos invadir quando quiserem”, disse a garçonete Marina Castano, cujo bar reabriu neste sábado

Fonte: G1