O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, afirmou à Corregedoria da corporação que enfrenta dificuldades no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, onde está preso desde março. Durante interrogatório, ele disse se sentir como um “escravo” dentro da unidade e afirmou que preferiria morrer a continuar encarcerado.

Rosa Neto é réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, morta após ser baleada na cabeça em fevereiro. Ele também responde por fraude processual. O policial nega as acusações e sustenta a versão de que Gisele teria tirado a própria vida.
O depoimento foi prestado em 2 de abril, durante um Inquérito Policial Militar. Segundo o relato do próprio tenente-coronel, ele precisa cumprir tarefas como limpeza de banheiro e corredor, buscar refeições e lavar louças. Também afirmou que existem regras impostas pelos próprios internos e que oficiais recebem tratamento diferente dentro da unidade.
Durante a oitiva, Rosa Neto relatou sofrimento emocional e disse estar desesperado com a prisão. Ele informou que recebe acompanhamento psicológico e já passou por avaliações psiquiátricas. Também afirmou que se considera preso injustamente e voltou a negar qualquer responsabilidade pela morte da esposa.
O militar declarou ainda que se tornou alvo de comentários entre outros presos após a divulgação do caso pela imprensa. Ele criticou o fato de permanecer detido ao lado de policiais que, segundo sua versão, já haviam sido fiscalizados por ele durante a carreira.
Ao falar sobre a morte de Gisele, Rosa Neto manteve a versão de suicídio e afirmou que a cena encontrada no local foi uma das mais traumáticas que já presenciou em 35 anos de carreira policial. Apesar das declarações, ele permanece réu e ainda não foi condenado definitivamente.
O processo segue em andamento e deverá considerar perícias, depoimentos e outros elementos reunidos durante a investigação para esclarecer as circunstâncias da morte de Gisele e a eventual responsabilidade criminal do policial.
FONTE: DOL / UOL.