A Justiça Federal condenou sete pessoas acusadas de integrar um esquema de tráfico internacional de drogas que transportava cocaína da Bolívia para o Pará. O processo teve origem em uma operação da Polícia Federal realizada em 2019, no município de Itaituba, no sudoeste paraense.
As penas aplicadas variam entre 16 e 20 anos de prisão, todas em regime inicial fechado. Os condenados foram responsabilizados pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

O flagrante que deu origem ao processo ocorreu em 7 de julho de 2019, na Fazenda Buburé, localizada às margens da Rodovia Transamazônica, a BR-230. Policiais federais realizavam vigilância na pista de pouso da propriedade quando flagraram integrantes do grupo transferindo uma carga de uma aeronave para uma caminhonete dentro de um hangar.
Durante a operação, foram apreendidos 583,6 quilos de cloridrato de cocaína, distribuídos em 540 tabletes, além de porções de maconha. Os agentes também encontraram dois fuzis calibre 5,56 mm, uma pistola 9 mm, munições, dois aviões de pequeno porte e uma caminhonete.
A perícia realizada nos aparelhos de GPS das aeronaves apontou que um dos aviões havia realizado, no mesmo dia da operação, uma rota entre a Bolívia e o território paraense. A informação foi utilizada como um dos elementos da investigação sobre o transporte internacional da droga.
Segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, consideradas pela Justiça na sentença, havia divisão de tarefas entre os integrantes. Um dos condenados foi apontado como responsável pelo financiamento e pela coordenação logística, enquanto outros atuavam como piloto e copiloto, motoristas, auxiliares no carregamento e responsáveis pela segurança armada.
Durante a abordagem policial em 2019, um dos homens responsáveis pela segurança da carga chegou a disparar contra agentes da Polícia Federal durante uma tentativa de fuga. Por esse episódio, ele também foi condenado pelo crime de resistência qualificada.
Além das penas de prisão, a Justiça Federal determinou o confisco dos bens utilizados na prática criminosa. Os dois aviões e a caminhonete apreendidos foram destinados ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad), enquanto as armas e munições foram encaminhadas ao Comando do Exército para a destinação prevista em lei.
A defesa de dois dos sete condenados já apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Os demais condenados também podem recorrer da decisão.
Fonte: g1 Pará / Ministério Público Federal / Polícia Federal.