Polícia apreende R$ 17 mil e material de campanha durante investigação sobre possível compra de votos em Parauapebas

Uma ação policial realizada na tarde desta quarta-feira (30), em Parauapebas, no sudeste do Pará, terminou com a apreensão de mais de R$ 17 mil em dinheiro, envelopes com diferentes quantias, uma relação contendo nomes e valores, aparelhos celulares e material de propaganda eleitoral. A ocorrência é investigada como possível caso de compra de votos para as eleições de 2026.

A ação começou após uma denúncia sobre uma suposta distribuição de dinheiro relacionada ao processo eleitoral. Policiais foram até um estabelecimento comercial localizado na Avenida G, no bairro Cidade Jardim, onde encontraram intensa movimentação de pessoas.

O material apreendido pela polícia no flagrante de compra de votos continha santinhos de Daniel Santos | Divulgação/PM

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, durante a averiguação foram encontrados envelopes contendo dinheiro, além de uma relação com nomes e valores. Um dos abordados teria declarado aos policiais que realizava distribuição de valores para compra de votos. Outra pessoa encontrada com um envelope também teria afirmado que recebeu dinheiro no local.

No total, 11 pessoas foram conduzidas à Delegacia de Polícia Civil de Parauapebas para prestar esclarecimentos, conforme nota oficial da Polícia Civil reproduzida pela imprensa local. Reportagens iniciais chegaram a mencionar 12 pessoas na ocorrência, havendo, portanto, divergência entre as primeiras informações divulgadas.

Durante a ação, foram apreendidos mais de R$ 17 mil em espécie, distribuídos em envelopes, 12 aparelhos celulares, uma máquina de cartão, anotações contendo nomes e valores e materiais de propaganda eleitoral.

Entre os materiais encontrados estavam santinhos de Dr. Felipe, candidato a deputado federal; Lanúzia Cunha, candidata a deputada estadual; e Daniel Santos, candidato ao Governo do Pará. A presença do material de campanha no local integra os elementos que serão considerados na investigação.

A apreensão dos santinhos, porém, não comprova por si só participação ou conhecimento dos candidatos sobre eventual compra de votos. A investigação deverá determinar a origem do dinheiro, a finalidade dos pagamentos, quem organizava a distribuição e se existe relação entre a movimentação financeira encontrada e alguma campanha eleitoral.

A apuração ganha relevância por ocorrer a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4 de outubro. A legislação eleitoral proíbe oferecer, prometer, solicitar ou receber vantagem com a finalidade de obter voto, e as circunstâncias de cada caso precisam ser apuradas pelas autoridades eleitorais e policiais.

Além da quantia efetivamente apreendida, documentos encontrados no local também deverão ser analisados. Uma das listas mencionadas nas informações divulgadas apresentaria nomes acompanhados de diferentes valores, elemento que poderá ajudar os investigadores a esclarecer o destino do dinheiro.

Os celulares apreendidos também poderão integrar a investigação, observados os procedimentos legais necessários para eventual acesso aos dados armazenados nos aparelhos.

Em manifestação divulgada posteriormente, o candidato a deputado federal Dr. Felipe negou envolvimento em compra de votos e afirmou que os valores estariam relacionados ao pagamento de pessoas contratadas para trabalhar na campanha. Essa versão deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos pelas autoridades.

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A Polícia Civil segue com a apuração para esclarecer a origem dos recursos, a finalidade dos pagamentos e a eventual participação de outras pessoas. Até o momento, a localização de propaganda eleitoral no estabelecimento deve ser tratada como elemento da investigação, e não como prova isolada de participação dos respectivos candidatos no suposto esquema.

Fonte: DOL / Polícia Civil do Pará.