Mais de 16 mil focos de calor colocam o Pará em alerta e levam bombeiros e prefeituras a criar sala de crise contra incêndios

O avanço dos incêndios florestais no oeste do Pará levou o Corpo de Bombeiros Militar e as prefeituras de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos a criarem uma sala de crise para coordenar ações de combate às queimadas. A decisão foi tomada durante uma reunião realizada na manhã de terça-feira (13), diante do agravamento da estiagem associada ao fenômeno El Niño.

Segundo as informações apresentadas pelas autoridades, o Pará já registrou mais de 16 mil focos de calor, enquanto as equipes de emergência enfrentam dificuldades para atender à crescente demanda de ocorrências, principalmente nas regiões próximas às rodovias BR-163 e PA-370, conhecida como estrada de Curuá-Una.

Representantes do Corpo de Bombeiros e gestores ambientais de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos definem estratégias integradas durante reunião no quartel em Santarém. — Foto: Luiz Nunes/G1

As chamas atingem áreas de vegetação, propriedades rurais e regiões próximas a comunidades. A situação também preocupa municípios como Alenquer, Monte Alegre e Uruará, onde o avanço do fogo representa riscos ambientais e exige atenção das equipes de fiscalização e resgate.

Em Mojuí dos Campos, a gravidade do cenário ficou evidente após o registro de 95 chamados relacionados a incêndios em apenas uma semana. Desse total, 65 ocorrências foram registradas em um intervalo de 24 horas, aumentando a sobrecarga dos profissionais envolvidos no combate.

Para reforçar as operações, as prefeituras de Santarém e Belterra disponibilizarão veículos com tração, combustível e drones para monitoramento das áreas afetadas. Já Mojuí dos Campos contribuirá com tratores de esteira e pás carregadeiras, utilizados na abertura de aceiros, faixas sem vegetação que ajudam a impedir a propagação das chamas.

De acordo com o coronel Celso Piquet, do Corpo de Bombeiros, a sala de crise permitirá integrar as informações e organizar o trabalho das equipes estaduais e municipais, evitando falhas na comunicação e melhorando a distribuição dos recursos disponíveis.

Outro desafio apontado pelas autoridades é a dificuldade de identificar e responsabilizar pessoas envolvidas na provocação de incêndios. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santarém informou que a quantidade limitada de fiscais e de recursos compromete a identificação dos responsáveis e a realização de autuações.

Representantes dos municípios também destacaram que os incêndios ultrapassam os limites territoriais, principalmente devido à ação dos ventos, fazendo com que focos iniciados em uma cidade atinjam áreas vizinhas.

Diante do cenário, o Governo do Pará já havia decretado, em 24 de setembro, estado de alerta climático e ambiental em todo o território estadual. A medida foi adotada de forma preventiva, considerando as projeções de seca intensa para os anos de 2026 e 2027.

A atuação conjunta entre bombeiros, Defesa Civil e prefeituras busca ampliar a capacidade de resposta às emergências, proteger comunidades e reduzir os danos ambientais provocados pelo avanço das queimadas no oeste paraense.

Fonte: g1 Santarém e Região / Corpo de Bombeiros Militar do Pará / Prefeituras de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos.