Delegada do Pará presa por suspeita de ligação com o PCC ficará em cela especial no Distrito Federal

A delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto, presa sob suspeita de repassar informações sigilosas a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), permanecerá inicialmente em uma cela especial da Polícia Civil do Distrito Federal. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (16), após a audiência de custódia realizada na quinta-feira (15).


Segundo informações publicadas pelo portal DOL, com base em reportagem do Metrópoles, a policial ficará na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), em Brasília. A custódia será realizada pela Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP).
A permanência em uma cela especial tem respaldo nas normas aplicáveis à categoria e, neste primeiro momento, evita que a delegada seja encaminhada ao sistema penitenciário feminino comum.
Maria Virgínia foi presa na quinta-feira (15), em um hotel localizado no Setor Hoteleiro Norte, na capital federal. A prisão aconteceu durante os desdobramentos de uma investigação interestadual sobre a atuação de integrantes de uma organização criminosa.
De acordo com as autoridades, a delegada é suspeita de ter recebido aproximadamente R$ 50 mil para fornecer informações sigilosas e oferecer proteção institucional a pessoas ligadas ao PCC.
A investigação também envolve Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como uma das lideranças da organização criminosa na região de Muro Alto, em Ipojuca, Pernambuco. Ele foi localizado em um resort de luxo em Porto de Galinhas.
A operação contou com a atuação da Polícia Civil de Pernambuco, da Polícia Civil do Pará e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Em Belém, os investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão na residência da delegada e no gabinete ocupado por ela na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil, localizada na avenida Magalhães Barata.
Os agentes buscaram documentos, equipamentos e outros materiais que possam contribuir para esclarecer a possível participação da investigada no esquema.
As suspeitas surgiram durante a Operação Sinalagma, que investiga tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Segundo os levantamentos, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 14 milhões.
Os investigadores apuram se a delegada utilizou informações obtidas em razão de suas funções para favorecer integrantes da organização criminosa. As suspeitas incluem possíveis crimes de corrupção, violação de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa.
O caso permanece em investigação. A eventual responsabilização criminal dependerá da análise das provas e das decisões da Justiça, sendo garantido à investigada o direito de defesa.
Fonte: DOL / Metrópoles / Ministério Público do Estado do Pará.