Governo federal reforça combate a incêndios no Oeste do Pará com seis aviões em Santarém

Operação prevê 287 brigadistas, 33 veículos terrestres e 12 aeronaves. Ibama identificou 62 incêndios florestais ativos em um raio de 150 quilômetros da área urbana de Santarém.

O governo federal anunciou o reforço das ações de combate aos incêndios florestais no Oeste do Pará. A operação prevê a mobilização de 287 brigadistas, 33 veículos terrestres e 12 aeronaves para atuar no enfrentamento às chamas e ampliar a proteção de áreas florestais ameaçadas pelo fogo.

Fumaça em Santarém — Foto: Ana Thalia

Do total de aeronaves mobilizadas, seis aviões do modelo Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre os incêndios, ficarão baseados na região de Santarém. A operação contará com equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

De acordo com o Ibama, foram identificados 62 incêndios florestais ativos em um raio de 150 quilômetros da área urbana de Santarém. Uma das regiões que mais preocupam as autoridades é o Chapadão, na divisa entre Santarém e Uruará, onde há registros de pressão sobre áreas florestais e suspeitas de uso intencional do fogo.

Além do combate direto às chamas, o governo anunciou o reforço da segurança das equipes que atuam em campo. A Força Nacional foi autorizada a apoiar os brigadistas após relatos de hostilidade nas Terras Indígenas Apyterewa e Ituna/Itatá. A Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também investigam os responsáveis por incêndios criminosos.

Segundo o presidente do Ibama, Jair Schmitt, a maioria dos incêndios registrados na Amazônia neste período está relacionada à ação humana. Conforme as autoridades, o fogo tem sido utilizado para limpar áreas recém-desmatadas e favorecer a ocupação ilegal de terras.

O governo informou ainda que 208 assentamentos da reforma agrária no Pará foram atingidos por incêndios, sendo sete classificados em situação extremamente crítica. O avanço das chamas também ameaça áreas protegidas, como a Floresta Nacional do Jamanxim, a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu e territórios indígenas.

Para fortalecer as ações de prevenção e combate, o Pará recebeu R$ 45 milhões do Fundo Amazônia. Os recursos foram destinados à aquisição de 46 veículos especializados, incluindo oito caminhões de combate a incêndios e 38 caminhonetes adaptadas, além de cinco drones para monitoramento. O investimento também permitiu capacitar 303 brigadistas municipais.

Santarém passou a integrar, neste ano, a lista de municípios prioritários do programa União com Municípios, que prevê apoio financeiro para ações de combate ao desmatamento e à degradação florestal. A inclusão ocorreu após o aumento da degradação provocada por queimadas registrado em 2024.

As condições climáticas também contribuem para agravar o cenário. Segundo representantes do governo, a estiagem severa e a vegetação seca favorecem a propagação das chamas. A previsão apresentada durante a coletiva indica que o período de seca intensa poderá se estender até meados de 2027.

Fonte: g1 Santarém e Região / Governo Federal / Ibama.